Chat with us, powered by LiveChat

Plantas Fitoterápicas para Ação Androgênica: Existem Evidências na Hipertrofia?

Julho 15,2019
meeting brasileiro de nutrição esportiva

O uso de extratos naturais como coadjuvantes de tratamentos ou para promover efeitos no equilíbrio corporal está se tornando cada vez mais prevalente na prática do nutricionista em diferentes áreas. Na Nutrição Esportiva, por exemplo, diferentes ativos são prescritos com a finalidade de potencializar a performance, aumentar a massa magra e amenizar lesões e fadiga decorrentes dos treinamentos exaustivos.

 

Um dos fitoterápicos mais prescritos na prática esportiva é a planta Tribulus terrestris (TT), graças à sua composição de fitoativos como a protodioscina. De origem rasteira e da família Zygophyllaceae, era frequentemente utilizada pela medicina tradicional indiana em tratamento de infertilidade e baixa libido, contudo, em meados dos anos 80 o seu extrato ganhou destaque na rotina de praticantes de exercícios físicos e atletas, sobretudo, para promoção da hipertrofia muscular. Seu efeito na síntese muscular é decorrente da possível capacidade em estimular os níveis de testosterona, dihidrotestosterona, dehidroepiandrosterona e hormônio luteinizante (LH). Apesar desses mecanismos demonstrados pela literatura, ainda há controvérsias sobre as mudanças na produção hormonal desencadeada pelo extrato.

 

O músculo esquelético responde a diferentes estímulos associados a fatores de crescimento endógenos e exógenos, principalmente o fator de crescimento de insulina 1 (IGF-1), responsável por atuar como regulador do crescimento muscular, danos, reparo e regeneração. A ação do IGF-1 é regulada pelas proteínas de ligação de alta afinidade chamadas de IGF (IGFBPs), com destaque a IGFBP1-7 e IGFBP-3. A modulação da bioatividade de IGF-1 depende de alterações na IGFBP-3.

 

Um estudo (Ma et al., 2017) investigou os efeitos dos extratos de Tribulus terrestris sobre a massa muscular, dano muscular e desempenho anaeróbico de atletas boxeadores treinados, avaliando os mecanismos relacionados a produção de androgênio plasmático, fator de crescimento de insulina 1 (IGF-1) e proteína de ligação a IGF-1 -3 (IGFBP-3). A metodologia do trabalho foi feita através de dois grupos com 15 boxeadores que participaram de um treinamento de 3 semanas de alta intensidade e 3 semanas de alto volume, com intervalo de 4 semanas. Um grupo foi suplementado com 1250 mg de Tribulus e outro com placebo. Os parâmetros de avaliação foram em relação à marcadores de crescimento de massa muscular, do desempenho anaeróbico e dos indicadores sanguíneos. Os resultados observados mostraram que as cápsulas de extrato de tribulus não demonstrou alterações na massa muscular e nas concentrações de testosterona, entretanto, pode diminuir significativamente os danos muscular e potencializar o desempenho aeróbio de boxeadores treinados, por meio da diminuição de IGFBP-3 plasmática.

 

 

O cultivo do extrato de tribulus em diferentes tipos de solo é capaz de alterar a composição da planta, especialmente em relação a protodioscina. Essa característica pode resultar em mudanças nos resultados de estudos que avaliam o estímulo da produção androgênica promovido pelo tribulus, uma vez que esse fitoativo é o responsável por favorecer essa síntese endógena. Torna-se necessária a elaboração de mais estudos que comprovem tal associação na prática esportiva, apesar de que uma boa parte dos trabalhos demonstram efeitos positivos como redução e danos musculares, conforme citado no estudo apresentado por Ma et al. (2017).

 

Um outro fitoterápico que também demonstra possíveis ações na produção de androgênicos é a Eurycoma longifólia. Um estudo realizado em humanos mostrou que a suplementação do extrato da planta em 25 idosos fisicamente ativos, durante 5 semanas, pode aumentar as concentrações de testosterona livre e força muscular.

O Dr. Leandro Medeiros compartilhará os dados mais atuais da literatura científica e sua experiência na prática sobre os benefícios da prescrição de plantas fitoterápicas com capacidade androgênica, dentro do Módulo Fitoterapia na Nutrição Esportiva do #NE2019. Inscreva-se no congresso!

 

REFERÊNCIAS

 

LIAO, L. et al. A preliminary review of studies on adaptogens: comparison of their bioactivity in TCM with that of ginseng-like herbs used worldwide. Chin Med., v. 13, n. 57, p. 1-12, 2018.

KALLUF, L. Fitoterapia Funcional: dos princípios ativos à prescrição de fitoterápicos. 2 ed. São Paulo: AçãoSet, 2015.

PANOSSIAN, A; WIKMAN, G. Effects of Adaptogens on the Central Nervous System and the Molecular Mechanisms Associated with Their Stress—Protective Activity. Pharmaceuticals, v. 3, p. 188-224, 2010.

MA, Y. et al. Tribulus terrestris extracts alleviate muscle damage and promote anaerobic performance of trained male boxers and its mechanisms: Roles of androgen, IGF-1, and IGF binding protein-3. J Sport Health Sci., v. 6, n. 4, p. 474-481, dec. 2017.

WU, Y. et al. The function of androgen/androgen receptor and insulin growth factor‑1/insulin growth factor‑1 receptor on the effects of Tribulus terrestris extracts in rats undergoing high intensity exercis. Mol Med Rep., v. 16, n. 3, p. 2931-2938, sep. 2017.

Deixe uma resposta