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Overtraining na prática esportiva: estratégias da nutrição integrada!

Setembro 10,2019

Modalidades esportivas de alta intensidade requerem cuidados estratégicos na alimentação e na rotina diária de treinamentos como um todo. A síndrome do excesso de treinamento, conhecida como overtraining, é uma condição adaptativa do organismo frente ao exercício extenuante sem repouso e a recuperação adequada. Essa síndrome se desenvolve quando a intensidade e o volume de treinamento ultrapassam a capacidade de recuperação e de adaptação do organismo, levando aos estados de fadiga excessiva.

Para comprovar os mecanismos associados ao desenvolvimento do overtraining, diversas hipóteses são demonstradas em estudos da literatura científica. Essas hipóteses são baseadas nos sintomas apresentados pelos atletas que estão nas condições de risco.

A primeira hipótese que merece atenção é a do glicogênio muscular baixo, após o treinamento, ou prova de competição exaustiva. Isso pode prejudicar o desempenho esportivo devido ao combustível inadequado para a carga de trabalho, além de resultar em aumento da oxidação e diminuição das concentrações de aminoácidos de cadeia ramificada que estão envolvidos na síntese de neurotransmissores centrais. Mais estudos, todavia, devem ser realizados com atletas de modalidades específicas para comprovar essa relação com a síndrome de overtraining.

Outra teoria relacionada a essa condição esportiva é a da fadiga central, caracterizada pelos níveis reduzidos de aminoácidos de cadeia ramificada durante o exercício e aumento das concentrações de triptofano. O triptofano é precursor da síntese de serotonina, neurotransmissor responsável pela a fadiga do sistema nervoso. Esse aumento da oxidação de BCAA é decorrente da diminuição dos estoques intramusculares de glicogênio, efeito que facilita a captação hipotalâmica de triptofano livre e maior conversão em serotonina.

Desse modo, é possível obter resultados positivos na minimização da fadiga com a suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA). Uma revisão feita por Kainulainen et al. (2013) mostrou resultados positivos dos BCAA para serem oxidados na produção de energia, poupando os estoques de glicogênio muscular durante o exercício. Contudo, em relação à fadiga central e quanto a mudanças dos níveis de triptofano, os estudos ainda não demonstram resultados significativos e positivos com a suplementação, aumentando a necessidade da realização de mais ensaios clínicos para sua comprovação.

Para reposição do estoque de glicogênio intramuscular, a adequação alimentar e suplementar de carboidratos torna-se uma estratégia essencial na rotina de atletas com propensão para desenvolvimento da overtraining. O ideal é optar por produtos e alimentos que possuam carboidratos de qualidade.

O exercício físico de alta intensidade também promove aumento do estresse e da síntese do hormônio cortisol. Este, por sua vez, é responsável por potencializar o estado de fadiga e comprometer a recuperação pós-exercício. Diante disso, estudos mostram a eficácia da fitoterapia na modulação das concentrações de cortisol e na prevenção da fadiga. Um dos fitoterápicos mais prescritos, nesse cenário, são os adaptógenos, como, por exemplo, o Panax ginseng e a Rodhiola rosea, que são capazes de aumentar a capacidade de trabalho e a resistência ao estresse, com isso, prevenindo a queda do desempenho esportivo e a fadiga física e mental.

A nutrição integrada na rotina do atleta de elite envolve uma alimentação equilibrada, suplementação eficiente e utilização de fitoterapia que promova resultados positivos tanto à performance como à recuperação física e mental pós-treinamento!

 

REFERÊNCIAS

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